O Telefone Preto: Conto x Filme

22/07/2022

 

Olá, leitoras.

Você já devem ter visto por ai algumas propagandas do filme O Telefone Preto, certo? Esse suspense é uma adaptação do conto de mesmo nome do autor Joe Hill (antes presente na coletânea Fantasmas do Século XX e agora na coletânea O Telefone Preto e Outros Contos) e eu como gosto muito do autor e estava curiosa para assistir esse filme acabei fazendo as duas coisas recentemente e trago aqui as minhas impressões (e comparações) sobre os dois.

O conto

Vocês sabem que eu tenho sérios problemas com contos, né? Qualquer livro assim eu raramente consigo terminar, mas como o objetivo principal era ler O Telefone Preto eu acabei pulando logo para essa história que tem uma média de 20 páginas (eu li em e-book, então me corrijam se eu estiver errada) e que até pode deixar algumas leitoras apreensivas.

A história começa com Finney observando um homem gordo e atrapalhado tentando colocar umas compras em sua van e depois de algum tempo daquela situação ele decide ir ajuda-lo, mas acaba sendo sequestrado pelo mesmo. Isso acontece lá no final dos anos 70, então talvez naquela época as crianças não tinham medo do que poderia acontecer quando alguém estranho está perto de uma van.

No local onde o homem, conhecido como The Grabber, deixa o menino há um telefone preto na parece que segundo o próprio sequestrador não funciona desde a sua infância. O que acontece é que o telefone passa a tocar para Finney e quando ele atende reconhece a voz do outro lado sendo de um colega de beisebol que há alguns anos desapareceu.

Eu acho que Joe Hill consegue criar uma história de terror/suspense com qualquer elemento que desejar e não foi diferente ao usar um telefone como um importante personagem dessa história. Finney recebe uma ajuda através dessa "ligação" e consegue até mesmo usar o telefone como uma forma de se defender do seu sequestrador. O ruim de contos, é claro, não profundidade nenhuma em relação aos personagens. Percebemos certas nuances na relação de Finney e de sua irmã, da mesma forma que há a relação do sequestrador com o seu irmão viciado. Mas é tudo muito superficial e rápido, que mal da tempo de sentir medo e angustia com o personagem.

O filme

Talvez adaptar contos pareça uma tarefa fácil, mas quando eu finalizei a leitura fiquei pensando em como aquilo seria colocado dentro de uma filme de 1:30hs. Minha impressão é de que a adaptação enrolaria para mostrar o sequestro, enrolaria para as interações entre Finney e o sequestrador e, bom... enrolaria em tudo. De fato o diretor fez isso, mas não de uma forma negativa. Há novos personagens e histórias sendo desenvolvidas dentro do filme que para mim ajudaram a história ficar mais interessante.

Uma das melhores adições a trama foi a maior participação de Gwen, a irmã de Finney. Logo no inicio do filme é nos mostrado que ela possui alguma habilidade que a faz sonhar com as vítimas do Grabber e isso faz com que ela consiga ajudar seu irmão. Vale ressaltar que ela é uma personagem que rouba a cena sempre que aparece e, talvez, uma de suas cenas desperta um gatilho grande para quem tem traumas de infância. E o que mais gostei com certeza foram as interações de Finney com o Telefone. Mais vítimas foram mostradas e a maneira como todos os diálogos acabam se encaixando no final acabou me surpreendendo.

A maior reclamação que vejo do filme é em relação ao próprio Grabber, que não tem um arco desenvolvido. Então suas motivações são uma incógnita. Particularmente não acho que o filme obrigatoriamente deveria ter contado mais sobre o vilão, pois acaba que a história não é sobre o Grabber. O cara sequestra crianças, então o que mais precisamos saber sobre ele além de que é um louco sádico?

Mas vamos lá... Uma coisa bem estranha no filme, que me deixou abismada é a incompetência da policia em investigar um caso com diversas crianças desaparecidas a ponto de pedir a ajuda de uma menina de, sei lá, 10 anos para ajudar. Isso faz zero sentido e parece que foi jogado ali só para ajudar na resolução final do filme. Mas nessas horas a gente finge que não viu essa bomba e só considera as coisas boas, né?

Esse é um dos raros casos em que a adaptação acaba sendo melhor que a história original, principalmente por ser de um conto. O elenco é bom e, claro, ter o Ethan Hawke fazendo esse personagem ainda que usando máscara é bom demais. O tom de voz muda, a postura corporal e até quando ele está parado sem fazer nada há uma agonia na cena. Provavelmente a melhor coisa em ver o personagem tão diferente de como é retratado no conto original.

Um comentário

  1. Eu já sei o que vou assistir hoje? Já sei sim! O único livro (e primeiro inclusive) que li do Joe Hill foi A Estrada da Noite, e o considero perfeito, gosto bastante. Mas depois dele não li mais nenhum, e claro que após suas considerações sobre o conto e filme vou dar uma chance ao filme.

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